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Doença dos Ovários Poliquísticos (PCOD, Polycystic Ovary Disease)

Acredita-se que a síndroma dos ovários poliquísticos (polycystic ovary syndrome, PCOS), agora mais conhecida como a doença dos ovários poliquísticos (polycystic ovary disease, PCOD), é a causa mais comum de disfunção ovárica em mulheres em idade reprodutora. Como tal, é claramente uma causa muito importante de infertilidade e necessita ser descrita com algum detalhe.

PCOD é uma condição na qual os ovários estão aumentados, com uma camada externa lisa,mas mais espessa do que o normal. Muitos pequenos quistos recobrem essa superfície, os quais são por si mesmos inofensivos, mas podem causar amenorreia ou Oligomenorreia, resultando em infertilidade.

Características clínicas

O critério diagnóstico para PCOD é confirmação da existência de ovários poliquísticos no exame ecográfico. Esse facto pode ser acompanhado por um amplo espectro de outros sinais e sintomas, tendo como principal característica o hiperandrogenismo. Na investigação, constata-se que a LH (luteinizing hormone, hormona luteinizante) sérica   se eleva usualmente acima de 10 UI/l e a testosterona sérica pode estar elevada. 

Sinais e sintomas de PCOD:  

  • Níveis elevados de LH (LH sérico >10 UI/l).

  • Níveis de FSH baixos ou normais (se forem normais, ainda estão provavelmente abaixo do nível limiar requerido para o desenvolvimento folicular normal).

  • Índice LH/FSH elevado (>2:1 ou 3:1).

  • Androgénios/testosterona elevados.

  • Ovários aumentados, multiquísticos.

  • Múltiplos folículos imaturos (usualmente com 2 mm a 8 mm).

  • 10 folículos/ovário.

  • Menstruação irregular e anovulação.

  • Hirsutismo e acne (decorrente de um excesso de Androgénios).

  • Obesidade.

Embora PCOD esteja associada com sintomas androgénicos, tais como hirsutismo e obesidade, estes não são necessários para o diagnóstico. Seborreia é também uma situação comum. 

PCOD e fertilidade

Nas formas mais leves de PCOD, a mulher afectada pode não ter anormalidade menstrual e pode ovular normalmente, mas frequentemente demora mais tempo do que o normal para engravidar e apresenta uma maior probabilidade de aborto espontâneo.

Na PCOD moderada, há irregularidade menstrual, tais como Oligomenorreia ou amenorreia secundária e deficiência de ovulação.

A forma mais grave de PCOD é caracterizada por obesidade, hirsutismo, amenorreia e consequente infertilidade.

Conduta perante a PCOD

A conduta perante a PCOD depende de se a mulher deseja engravidar ou não. Algumas vezes, o retorno de ciclos ovulatórios é determinado por medidas simples, tais como perda de peso.

Em mulheres que não desejam engravidar, o tratamento pode ser sintomático. Uma pílula contraceptiva para uso por via oral pode ser dada para restaurar a regularidade menstrual e estrógenios ou anti-Androgénios, tais como acetato de ciproterona, podem ser usados nas que apresentam hirsutismo ou acne. 

Em mulheres que desejam engravidar, o tratamento é usualmente iniciado com citrato de clomifeno (veja Tratamentos do Indivíduo do Sexo Feminino) em doses de 50-110 mg/dia por 5 dias a cada mês. Isso é efectivo na restauração da menstruação com ovulação em 70% das mulheres, e 30% irão engravidar dentro de três meses de tratamento. No entanto, as taxas de gravidez são baixas e há uma alta incidência de aborto.

Se a concepção não ocorreu após uma tentativa de seis meses de clomifeno, uma tentativa de terapêutica com gonadotrofina pode ser iniciada, algumas vezes em combinação com um análogo de GnRH com o fim de bloquear a secreção de LH e, assim, reduzir o risco de aborto. Isso precisa ser usado com grande cautela em pacientes com PCOD, já que essas pacientes são muito susceptíveis ao desenvolvimento da síndroma de hiperestimulação ovárica, e também porque a mesma dose de gonadotrofina pode induzir uma resposta bem diferente em ciclos diferentes.

Com o objectivo de reduzir essa variáveldose-resposta tanto quanto possível, as preparações puras de FSH são preferidas em relação aos extractos impuros, tais como hMG (veja o Módulo 2). Com o fim de restaurar uma ovulação única sem causar hiperestimulação ovárica, é importante que a dose de gonadotrofina possa ser titulada tão precisamente quanto possível e, portanto, apenas preparações da mais alta pureza devem ser usadas.


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Last updated: 14/05/2008
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